
Esta viagem foi muito especial. Nunca tinha visto tanta neve nem nunca tinha sentido a sensação de caminhar sobre a neve ou tocar-lhe. Tão diferente daquilo que eu tinha imaginado. E é tão bonito ver tudo branquinho lá de cima do avião.
Todas as cidades são especiais à sua maneira e é engraçado ver tanta gente a passear pelas ruas, mesmo quando já era noite e temperaturas tão baixas.
Em cada cidade que passei houve coisas que me marcaram de maneira muito diversa. Em Bruxelas gostaria de vos falar da Catedral de São Miguel. O edifício é muito bonito mas nem foi isso que me chamou mais a atenção. No interior da Catedral havia uma exposição de presépios muito especial. Cada um deles tinha sido executado por cada uma das diferentes comunidades, japonesa, haitiana, croata, hispânica... Cada uma destas comunidades entendeu e interpretou a mensagem do Natal de acordo com a sua cultura dando origem aos mais diversos e maravilhosos presépios. Uma prova da Universalidade de Jesus Cristo...

De Antuérpia guardo os encantadores edifícios da Praça Central e a exposição de quadros com motivos religiosos, de Rembrandt e outros pintores da mesma época, no interior da Catedral.

De Roterdão trago na memória os improváveis edifícios resultantes do génio de inúmeros arquitectos como por exemplo as Casas Cúbicas.


Em Amsterdão, para além do encanto dos canais e das casas giríssimas das suas margens, não posso deixar de falar da emoção que senti na Casa Museu de Anne Frank, a jovem judia que viveu escondida para tentar escapar ao destino irremediável dos judeus durante a II Guerra Mundial. Andar por aquelas divisões minúsculas, subir os mesmos degraus que ela, acompanhar a sua história e, no fim, o testemunho sentido do seu pai, único sobrevivente. Ao longo da visita fui-me sentido cada vez mais tocada mas Otto Frank deixou-me com um nó na garganta e lágrima no canto do olho. Este homem perdeu tudo e todos mas encontrou sentido para a sua vida na publicação do diário da filha e na abertura da Casa, que para além de museu, é um espaço de encontro, reflexão e defesa dos direitos humanos. Uma visita obrigatória que nos faz pensar até onde pode chegar a estupidez humana.