... estou solidária com o protesto da Geração à Rasca. Inicialmente até achei que era imoral da minha parte ir a este protesto uma vez que tenho emprego, não sou trabalhadora precária e até tenho um ordenado um "bocadito" superior a 500 euros. No entanto não posso deixar de me sentir solidária com quem tem razões pessoais para protestar.
Quando pensámos em passar pelo Marquês de Pombal, a ideia era só ir ver o ambiente mas, uma vez lá, senti fervilhar os meus genes revolucionários (pai e avós de esquerda dão nisto) e desci com o meu namorado a Avenida da Liberdade até ao Rossio. Nunca antes tinha estado numa manifestação embora tenha feito greve pelo fim da PGA e tenha participado nas RGA's na Faculdade contra as propinas. Desta vez posso dizer que desci a avenida pela minha mãe que, com 60 anos, está prestes a ficar sem emprego, pelo futuro da minha sobrinha, da minha afilhada e do irmão e pelos utentes da minha farmácia que não conseguem comprar todos os medicamentos que precisam. Já agora que este protesto não fique por aqui e que os jovens percebam que a solução não é só apontar o dedo ao que está mal. É preciso intervir, é preciso exercer o direito de voto, é preciso constituir movimentos cívicos e ajudar a construir um país melhor num mundo melhor.


