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domingo, 2 de fevereiro de 2014

"Verão Quente" em Fevereiro

Isto de estar de molho tem as suas vantagens. Ontem li este livro inteirinho. Acho que isso não me acontecia desde a adolescência. A verdade é que não é nenhuma obra-prima mas dá para entreter. Deste autor destaco, para ler mais devagar, "Enquanto Salazar dormia..." e  "Quando Lisboa tremeu".

terça-feira, 23 de abril de 2013

Dia Mundial do Livro


Hoje assinala-se o Dia Internacional do Livro. Os livros tiveram desde sempre um lugar importante e primordial na minha vida. Há alturas em que até acho que sou viciada em livros. Por isso partilho convosco alguns dos livros da minha vida. 

terça-feira, 12 de março de 2013

Livros ou ansióliticos

Esta manhã recebi, como todos os meses, a revista LER. Como tive pouco tempo só conseguir ler o editorial escrito pelo novo director da revista, Francisco José Viegas (pois, esse mesmo). Então diz ele que o SNS inglês criou um programa designado por "Books on Prescription", ou seja, os médicos ingleses vão poder passar a prescrever livros para ajudar a tratar problemas de saúde como por exemplo distúrbios do sono, fobia social, stress ou compulsão alimentar. Os livros possíveis poderão ser os típicos livros de auto-ajuda mas também "O Diário da Bridget Jones".
Não tenho nada contra esta medida já que adoro livros. Se este medida fosse aplicada em Portugal só espero que os livros fossem vendidos na farmácia e já agora com uma margem melhor que a margem actual dos medicamentos.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Prémio SPA para José Luís Peixoto




Um dos meus escritores preferidos da actualidade, José Luís Peixoto recebeu mais um prémio. Desta vez foi o prémio para o melhor livro de poesia  da Sociedade Portuguesa de Autores para o livro A Criança em Ruínas. José Luís Peixoto já recebeu vários prémios entre os quais o Prémio José Saramago em 2001 pelo  romance Nenhum Olhar e o Prémio Cálamo Otra Mirada pelo romance Cemitério de Pianos para o melhor romance estrangeiro publicado em Espanha em 2007.  Confesso que a poesia nem é um género literário q que eu dedique muito do meu tempo. Tenho poucos livros de poesia mas não os leio de fio a pavio. Ficam lá quietinhos na prateleira para os visitar de vez em quando. Seja como for não podia deixar de lhe dar os parabéns.

Para celebrar este prémio deixo-vos um dos seus poemas.


fico admirado quando alguém, por acaso e quase sempre
sem motivo, me diz que não sabe o que é o amor.
eu sei exactamente o que é o amor. o amor é saber
que existe uma parte de nós que deixou de nos pertencer.
o amor é saber que vamos perdoar tudo a essa parte
de nós que não é nossa. o amor é sermos fracos.
o amor é ter medo e querer morrer.



                                             José Luís Peixoto in A Criança em Ruínas

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Já estou cheia de saudades

Ainda ontem deu o último episódio da nova "Gabriela" e eu já estou cheia de saudades destas personagens deliciosas














Jorge Amado era mesmo um mestre na construção de personagens e histórias inesquecíveis. Nem me lembro de há quanto tempo não seguia uma telenovela até ao fim com tanto interesse. Agora não sei como vou ocupar o tempo à hora da "Gabriela".
Daqui por uns tempos, quando as saudades apertarem e a história já não estiver tão fresca, vou ler este livro
que já está na estante á minha espera.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

"Tentação"

Um destes dias, enquanto voltava para casa, fui ouvindo o programa "Prova Oral"  do Fernando Alvim. Nesta emissão descobri uma nova maneira de dizer poesia, de contar histórias que se designa por Spoken Words. E gostei do que ouvi. Ainda hei-de ir ver um espectáculo destes. Por agora fica aqui um exemplo.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O dia de ontem

Ontem foi um dia muito produtivo embora estivesse de folga.
De manhã lá me resolvi a ir com o carro à oficina para perceber que barulho era aquele que já se ouvia há uns tempos. Afinal não era nada de mais e resolveu-se rapidamente.
À tarde fiz um pouco de turismo na capital. Passei pela Rua Augusta para comprar postais para alimentar o vício do Postcrossing. Embora o Terreiro do Paço não esteja muito apetecível, já que está novamente em obras, sentei durante alguns momentos diante do Tejo, no Cais das Colunas. Eu e mais umas quantas pessoas... Ainda bem que está novamente visível e ao dispôr dos lisboetas e dos turistas, portugueses ou 
estrangeiros.


E, depois, lá fui até à Feira do Livro cometer umas quantas loucuras. O meu escritório precisa mesmo de uma arrumação para as prateleiras receberem mais uns quantos habitantes. Desta vez trouxe sete:

"A Criança em Ruínas", livro de poesia de José Luís Peixoto
"A Casa na Escuridão", romance de José Luís Peixoto
"O teu rosto será o último", o tão falado livro de estreia, e premiado, de João Ricardo Pedro
"1Q84 - 2" de Haruki Murakami (e ainda não li o 1º)
"A mulher certa" de Sándor Márai, um escritor húngaro que descobri graças à guia da viagem que fiz às 4 Capitais da Europa Central
"A infanta rebelde" de Raquel Ôchoa sobre Dona Maria Adelaide de Bragança recentemente falecida
"Doida Não e Não" de Manuela Gonzaga sobre um escândalo em Portugal no início do século XX em que uma mulher foi internada num manicómio por um "crime de amor"

Agora só me resta ter tempo para os ler todos.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Das Galveias para o Mundo

O primeiro livro ( Livro de seu nome) li a medo. O autor até já tinha muitas obras publicadas mas eu ainda não conhecia nada dele. Fiquei mais curiosa quando li o resumo biográfico já que percebi que tinhamos a mesma idade e que ele tinha nascido no Alentejo, bem perto da zona onde também estão as minhas raízes. Comecei com um dos seus livros mais recentes mas fiquei fã, mais ainda quando, na Feira do Livro do ano passado, tive oportunidade de trocar meia dúzia de palavras com ele e de lhe pedir autográfos nos livros que acabara de comprar. Um escritor que gosta de falar com os seus leitores, de modo simples e humilde e que por isso tinha uma fila enorme de pessoas à espera que não desistiam.
Do último livro, fui em busca dos outros e lá fui encontrando as mesmas memórias do Alentejo, as recordações da infância nos idos anos 80 e o talento da sua arte de brincar com as palavras e com a Língua Portuguesa.
Aqui há dias, José Luis Peixoto deu esta entrevista a António José Teixeira na SicNotícias e fiquei a conhecer mais um pouco do seu percurso, da sua história de vida, da sua pessoa... Vale a pena espreitar.

quarta-feira, 21 de março de 2012

X

Eu queria mais altas as estrelas
Mais largo o espaço, o sol mais criador
Mais refulgente a lua, o mar maior,
Mais cavadas as ondas mais belas;

Mais amplas mais rasgadas as janelas
Das almas, mais rosais a abrir em flor,
Mais montanhas mais asas de condor,
Mais sangue sobre a cruz das caravelas

E abrir os braços e viver a vida
quanto mais funda e lúgubre a descida
mais alta é a ladeira que não cansa!

E, acabada a tarefa... em paz, contente,
Um dia adormecer, serenamente,
Como dorme no berço uma criança!

                                                      Florbela Espanca


Porque hoje é Dia Mundial da Poesia, deixo-vos um soneto da minha poetisa preferida. Para mim a poesia é a arte de tornar simples palavras em música literária.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Voltar à infância

Como já disse no Leituras da Stiletto, uma das coisas mais importantes que o meu pai fez por mim, foi estimular o meu gosto pela leitura inscrevendo-me na Biblioteca da Gulbenkian. Os meus tempos-livres nunca mais foram os mesmos. Quando eu era miúda, a tal biblioteca da minha terra era um pequeno barracão com poucas condições para albergar livros mas, mesmo assim, eu adorava lá ir. Vinha sempre carregada de livros (5 por mês era o máximo se não me engano). Actualmente não consigo resistir a comprar livros. No entanto, tendo em conta a falta de espaço lá em casa e o tempo de apertar (ainda mais) o cinto, achei que não era má ideia tornar-me leitora da biblioteca municipal da cidade onde trabalho. Hoje estive por lá na hora do almoço. Aproveitei para ler uma revista, "A Volta ao Mundo" e trouxe de emprestimo um cd, "O melhor de Tom Jobim" e um livro para ler quando acabar o "Cemitério de pianos". Vou tentar descobrir o que leva tantas pessoas a adorarem Haruki Murakami.
Mais uma ideia de poupança, recorra às bibliotecas!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Carlos Drummond de Andrade nasceu há 109 anos

Poesia

Gastei uma hora pensando em um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro inquieto, vivo.
Ele está cá dentro e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.

Carlos Drummond de Andrade


Este grande poeta da Língua Portuguesa (do outro lado do oceano) faria, hoje, 109 anos. Temos uma coisa em comum... não eu não escrevo poemas tão belos. Parece que ele era formado em farmácia embora não tenha trabalhado nessa área. Esta manhã a TSF transmitiu uma versão muito especial do poema No meio do caminho.
Um poeta a descobrir.

domingo, 8 de maio de 2011

Uma tarde em cheio





Ontem à tarde fui a um dos meus sítios favoritos no mês de Maio, a Feira do Livro. Esta é já a 81ª edição. Para um país onde, segundo se consta, se lê pouco é obra. Ainda não tinha atravessado a rua encontrei logo uns colegas da faculdade que não via há anos o que é sempre giro. A Feira estava a abarrotar, ainda por cima a um sábado à tarde. E não era só passeio, as pessoas estavam mesmo a comprar livros.
A Feira do Livro tem muitos incentivos para quem gosta de ler. Os preços de Feira são sempre mais baixos do que o normal. Em todos os stands há sempre o Livro do Dia que tem um desconto ainda maior. E há ainda a possibilidade e contactar com inúmeros autores e trazer um livro autografado. Ontem estavam anunciadas muitas sessões de autógrafos principalmente na Praça Leya (grupo que engloba muitas editoras). Infelizmente alguns estavam atrasados. Eu tive a sorte de estarem por lá 2 autores portugueses que comecei a ler há pouco, João Tordo e José Luís Peixoto. O problema é que eles se atrasaram um pouco e eu andei da Praça Leya para a área da Bertrand para ver quem chegava primeiro.
O João Tordo foi simpático mas não consigo ler quase nada do que ele escreveu (e se eu estou habituada a letras difíceis). Para conseguir os livros autografados do José Luís Peixoto tive que esperar quase 40 minutos. Para além do atraso e das pessoas que já lá estavam, ele conversa imenso com os leitores, é uma pessoa muito acessível, explica a história do livro que o leitor comprou, não é só assinar e andar, nota-se que ele gosta do contacto com o público. Valeu bem a pena esperar.
Agora já tenho leitura para mais uns tempos.



Post publicado em simultâneo no Leituras da Stiletto

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Caderneta de cromos


Desde Setembro que eu tinha feito a pré-compra da "Caderneta de Cromos". Ontem lá consegui ir à Fnac do Chiado e, depois de ter feito o funcionário procurar os cromos que faltavam, lá trouxe a tal "Caderneta" para casa. A rubrica de rádio do Nuno Markl recorda as memórias de infância passada nos anos 70 e 80 e já resultou neste livro e em programas ao vivo nos Coliseus de Lisboa e do Porto. Todas as manhãs às 8h45m e às 9h45m, Nuno Markl relembra peripécias, brincadeiras, roupas daquelas décadas. Nem sempre tenho oportunidade de ouvir e por isso acabei por comprar o livro. Ao folhear estas páginas volto a ser aquela criança que comia Tulicreme, via a Abelha Maia e colava Cromos na Caderneta. Que me lembre nunca consegui acabar uma caderneta...

terça-feira, 16 de novembro de 2010

José Saramago num pacote de açucar


Se fosse vivo, faria 88 anos. E decerto, que nunca se imaginaria num pacote de açucar...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

"O Bom Inverno", de João Tordo

Este já é o segundo livro que leio do João Tordo. O primeiro foi o "Três Vidas", romance premiado com o Prémio Literário José Saramago. A mim parece-me que foi prematuro atribuir o prémio naquela altura. "O Bom Inverno" é muito melhor do que o "Três Vidas". João Tordo conta histórias fabulosas e verdadeiramente surpreendentes desde às personagens, ao enredo, às soluções que ele arranja quando a história está muito complicada para desenrolar a trama. A história gira em torno de um escritor frustado e hipocondriaco que, depois de participar numa conferência de literatura em Budapeste, viaja até à Itália e envolve-se involuntariamente numa assustadora "história carregada de suspense, em que o amor e a literatura se misturam com sexo, crime e metafísica". João Tordo está a tornar-se um caso sério da literatura portuguesa da actualidade.


Só para abrir o apetite:

"Pusemos o homem dentro do cesto do balão e deixámo-los desaparecer no céu pálido do Lácio. Foi um momento dramático e, se não houvéssemos caído naquele torpor pesado e ruminante que de nós se aporedou, alguém teria erguido um braço para, por entre lágrimas ou sorrisos, acenar um último adeus a Don Metzger. Foram precisos oito braços para tranportar o corpo do carro até à gôndola de verga, junto da qual o sinistro Bosco havia, com a ajuda do fiel Alípio, insuflado de ar frio o envelope de nylon preto, a grande ventoinha ensurdecendo aquele dia tão fúnebre. Acomodámos Don denro da gôndola o melhor que pudemos - tanto quanto era possível acomodar um gigante - e depois, com um gesto de amor que chegou a parecer cruel, Bosco abriu a válvula de propano e acenceu o maçarico, as chamas incendiaram o ar e ergueram a gôndola do chão como se a carregassem na palma de uma mão invisível. Era ainda muito cedo naquela manhã e Donjá partia em direcção ao ininito, onde conjuntos de nuvens em vários tons de cinzento, banhadas por um sol melancólico, avançavam lentamente em direcção à montanha, sobrevoando-a como anjos coléricos que trouxessem o prenúncio de tempos terríveis."

terça-feira, 28 de setembro de 2010

"As três vidas", João Tordo

A primeira vez que ouvi falar de João Tordo foi no programa "Ping Pong Top", do canal Q, o canal das oduções Fictícias. João Tordo deu uma entrevista bem divertida a Patrícia Muller e a Hugo Gonçalves falando do novo livro "O Bom Inverno". Como fiquei curiosa fui descobrindo várias coisas, João Tordo é filho do cantor Fernando Tordo, nasceu em 1975 e ganhou o Prémio José Saramago 2009 com este romance "As três vidas", o seu terceiro romance. João Tordo representa uma nova geração de escritores e é, nas suas próprias palavras, "um gajo que conta histórias" (na revista Visão). João Tordo é um excelente e imaginativo contador de histórias. "As três vidas" é um romance repleto de mistérios que se vão desenrolando ao longo de muitos anos, atravessando períodos marcantes da História do século XX e do ínicio do século XXI. A imaginação do autor surpreende-nos a cada página e, quando não conseguimos perceber como ele vai desenrolar o novelo da história, eis que surge uma solução inacreditável. O narrador é um jovem secretário, sem nome, que começa a trabalhar com o misterioso António Augusto Milhouse Pascal. Durante muito tempo não consegue compreender qual é o trabalho que o patrão executa. Sempre presente está Artur, o jardineiro e motorista, quase tão misterioso como Milhouse Pascal. Os clientes, que são ricos, perigosos e loucos vêm e vão. O conhecimento que o jovem trava com os netos de Milhouse Pascal influenciará o seu discernimento e as suas decisões. Uma história que diicilmente se consegue deixar de ler...

"Ainda hoje, sempre que o mundo se apresenta como um espectáculo enfadonho e miserável, sou incapaz de resistir à tentação de relembrar o tempo em que, por força da necessidade, fui obrigado a aprender a difícil arte do funambulismo. Esses anos, que considero terem sido excepcionais - e, ocasionalmente, marcados por acontecimentos funestos -, deixaram-me num estado de melancolia crónica no qual, embora dele tenha procurado escapar, acabo inevitalmente por voltar a cair. (...) Bastará dizer que não recordo um tempo em que a vida tenha sido particularmente feliz, mas que sou incapaz de esquecer cada hora que passei na companhia de António Augusto Milhouse Pascal"

"Se eu fosse um homem diferente, com mais imaginação, talvez pudesse acreditar - e fazer-vos acreditar -que os mistérios que perpassaram esta narrativa irão um dia encontrar a sua resposta: estou convencido, contudo, de que muitas coisas permanecem eternamente veladas e, com o passar do tempo, aprendi a viver com esta resignação"

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

"Danúbio" de Cláudio Magris


Este livro fez parte de uma das colecções da Biblioteca Sábado e andava aqui por casa há muito tempo. Quando fizemos as malas para "As quatro capitais da Europa Central", também lá ia mas, na verdade, só lhe peguei quando voltei. Ler o "Danúbio" foi uma maneira de ir prolongando, por mais uns dias, as deambulações pelo centro da Europa. O rio Danúbio é o segundo rio mais longo da Europa tendo cerca de 2800 km de extensão, cruza vários países e passa por 4 capitais, Viena (Aústria), Bratislava (Eslováquia), Budapeste (Hungria) e Belgrado (Sérvia) e por muitas outras cidades importantes.
O autor, Cláudio Magris, nasceu em Trieste (Itália) em 1939 e licenciou-se como germanista na Universidade de Turim. Para além de ser docente na Universidade de Trieste, é ensaiasta e colunistas em vários jornais. "Danúbio" de 1986 foi considerada a sua obra-mestra sendo considerado um dos mais importantes escritores italianos contemporâneos. A sinopse desta obra diz assim:

"Nos anos 80, Cláudio Magris realizou uma viagem seguindo o rio Danúbio. Ao longo de um percurso que atravessa a Alemanha, a Áustria, a Hungria, as antigas Checoslováquia e Jugoslávia, a Roménia e a Bulgária, o autor alterna o relato de episódios significativos com descrições da paisagem física e cultural, até formar uma malha de ideias que aproxima esses países num espaço comum. Neste périplo misturam-se o ensaio, o romance, o diário e a literatura de viagens, e aparecem paisagens, paixões, encontros, reflexões... Uma viagem "sentimental" em que Magris explora o conceito da Mitteleuropa fundamental para a compreensão da cultura europeia"

Este livro foi uma experiência de leitura muito diferente daquilo que eu estou habituada. Em vez de ter uma história como linha condutora, a linha condutora é o próprio rio e a relação das cidades, dos intelectuais, dos que estão de passagem ou dos locais, com o rio. A viagem que o autor empreende começa na Floresta Negra e segue até ao delta onde o rio se junta com o Mar Negro. Mais do que uma viagem física ou sentimental, a verdadeira viagem é intelectual já que vamos descobrindo todos os autores que já escreveram sobre o Danúbio ou que foram influenciados pela proximidade com o rio nas suas obras. Não foi um livro fácil de ler mas valeu a pena acompanhar Cláudio Magris nesta viagem, quase como se fizesse um cruzeiro no Danúbio...

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

"As intermitências da morte", de José Saramago

Só depois de José Saramago ter morrido é que tive coragem de ler uma das suas obras. E só li por influência de uma amiga que é fã. Seguindo o seu conselho foi por "As intermitências da Morte" que comecei. Embora tenha levado mais tempo a ler do que é habitual, já comecei num período de muito trabalho, gostei muito. Saramago leva-nos a pensar em como seria se a morte deixasse de existir. Todos temos medo da morte e, como é óbvio, sofremos quando morre alguém que amamos mas a morte é necessária para manter o equilíbrio. Como ele demonstra, se a morte acabasse, seria uma situação complicada de resolver. Quem estivesse muito doente poderia ficar eternamente em sofrimento, por exemplo. As pessoas continuariam a envelhecer e os lares iam rebentar pelas costuras... enfim um série de problemas. Adorei quando as pessoas começam a arranjar subterfúgios para poderem resolver estes problemas e também adorei quando a morte começa a ser uma personagem ainda mais interveniente. Para ler Saramago, é preciso muita atenção porque se nos distraimos já não percebemos mais nada. Passei bons momentos com este livro. Sou capaz de repetir a experiência...



"No dia seguinte ninguém morreu. O facto, por absolutamente contrário às normas da vida, causou nos espíritos uma perturbação enorme,..."

terça-feira, 29 de junho de 2010

Aniversário de Antoine de Saint-Exupéry

"Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui outra. Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas não vai só nem nos deixa sós. Leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo. Há os que levam muito, mas há os que não levam nada. Essa é a maior responsabilidade de nossa vida, e a prova de que duas almas não se encontram ao acaso."
Antoine de Saint-Exupéry



Em Lyon, há 110 anos atrás, nascia Antoine de Saint-Exupéry. Entre outras coisas, Saint-Exupéry foi piloto e autor da enternecedora obra "O Principezinho". Este livro apareceu numa altura crucial do desenvolvimento da minha personalidade e tocou-me o coração de forma indelével. "O Principezinho" mostra-nos o que é o amor e a amizade. Nunca esqueci a história deste menino e da sua rosa, da sua viagem pelos planetas e dos seus encontros improváveis. Obrigada, Antoine de Saint-Exupéry, por me ensinares que sou responsável por aqueles que cativei e que "o essencial é invisível aos olhos, é preciso olhar com o coração"...

sábado, 19 de junho de 2010

Luto nacional

Hoje cumpre-se o primeiro de dois dias de luto nacional decretado pelo Conselho de Ministros pelo falecimento de José Saramago. Goste-se ou não se goste, José Saramago foi Prémio Nobel da Literatura e é um símbolo de Portugal no estrangeiro. Daí o luto nacional e o funeral de Estado a que José Saramago terá direito. Para quem já leu tantos livros como eu, e que faz da leitura um passatempo ou mesmo um vício, é uma vergonha dizer que nunca li livro nenhum de José Saramago. O único contacto que tive com a sua obra foi o filme baseado no seu "Ensaio sobre a cegueira", uma história dramática e pesada. Inevitavelmente, terei que ler para alargar os meus horizontes literários. Um facto que achei curioso foi Lanzarote, terra adoptiva de José Saramago, ter decretado 3 dias de luto regional enquanto Portugal, onde ele nasceu, só decretou 2 dias de luto nacional. Afinal ele era português ou espanhol?!

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